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Reflexões sobre o coração do homem (6)

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A serenidade é um dom que nos devolve o tempo todo abrindo caminhos que indicam a sacralidade da estrada estreita do Amor, de tal forma que possa haver um autêntico encontro entre as palavras e gestos com aquele Sentido, que recolhendo nossos desencontros em meio ao nosso processo virtuoso se entrega mais uma vez dando-nos paz quando há muito a perdemos nesse tempo de pressa e correria: “Quando se perde a paz do coração, deve-se fazer de tudo para recuperá-la, sabendo que nada no mundo nos deve roubar essa paz” (O combate espiritual, p. 72). Ótima semana!

Amar e sermos amados

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Você talvez, assim como eu, já tenha passado por uma tibieza espiritual, uma preguiça espiritual, uma sensação de ausência de Deus (o que é bem diferente de aridez espiritual, mas esta fica pra outro momento). Desta forma espero que este texto o ajude assim como me ajudou durante os dias de retiro (10 a 13 de setembro). Amare et amari (amar e sermos amados) eis o resumo da vida humana, nos diz o Santo de Hipona. Não se pode amar pela metade, assim também diz santo Agostinho: a medida do amor é amar sem medida. O grande perigo se encontra quando o nosso amor a Deus cai na tibieza, perdemos a vibração, o fervor, a totalidade do primeiro amor (cf. Ap 2, 1-5). Os retiros, encontros, acampamentos, palestras, formações, tudo isso pode nos dar um ânimo, fazer-nos lembrar nosso primeiro amor, ou para aqueles que nunca o perceberam o dão conta de que de que são amados, mas isso tudo não é o suficiente para manter a vibração em nosso coração, precisamos de uma constância na oração, u...

Reflexões sobre o coração do homem (5)

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Passamos considerável tempo na correria de nos encontrar em meio ás atividades cotidianas, entretanto, além de termos tarefa o tempo todo, tal busca pode ser mais fecunda se considerarmos que também podemos nos encontrar como um dom e aqui, é necessário acolher-se com todos os limites e possibilidades pessoais, sem recusar-se que desse vínculo harmônico entre dom e tarefa permanece o drama do exercício humilde de acolher a verdade, que ultrapassando-me chega a deitar suas raízes na lógica Amor: “Ele tornou-se aquilo que somos, para poder fazer de nós aquilo que era” (santo Atanásio de Alexandria). Ótima semana!

Reflexões sobre o coração humano (4)

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O que importa no fim da nossa jornada é um drama de consciência que ressoa no mais íntimo das tramas das escolhas cotidianas, entretanto, outra realidade é levantar a mesma questão quando estamos de fato no limiar do dom dessa vida. Nesse sentido segue um trecho (Obras completas de Elisabete da Trindade, p.32) de quem teve a oportunidade de caminhar nestes terrenos áridos e chegou a encontrar o fundamental da fecundidade da entrega do homem e da mulher: “No dia de todos os Santos, comunga pela última vez. Para as dez horas da manhã, acreditou-se que seria a hora de sua morte. A Comunidade se reúne em torno dela e recita as orações dos moribundos. Elisabete sai de sua prostração e pede perdão às suas Irmãs em termos emocionantes. Convidada a lhes dizer ainda alguma palavra, ela responde: “Tudo passa!... Na tarde da vida só o amor permanece... É preciso fazer tudo por amor; é preciso se esquecer sem cessar: o bom Deus ama tanto quem se esquece de si... Ah! Se eu tivesse feito sempr...

Itinerário Cristão

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Lutar, fazer a vontade de Deus e dar a vida – esse é o caminho do cristão, chamado pelo batismo ao anúncio do Evangelho, isto é, fazer com que o mundo se conforme a Cristo. Deste modo, a vida do batizado não deve estar longe dos incômodos e das intempéries que se apresentam no itinerário da vida, ao contrário, é amando a cruz do cotidiano, os desprezos e as humilhações que seguramente podemos dizer - Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim (Gl 2, 20). Diante dos infortúnios podemos encontrar a tentação de querer nos afeiçoar ao mundo, buscando louvores dos homens e não agradando a Deus, assim, não se pode entender quando Nosso Senhor diz – O meu reino não é deste mundo (Jo 18,36) – e muito menos - Felizes sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus (Mt 5, 11-12a). Torna-se evidente, portanto, que a vid...

Reflexões sobre o coração do homem (3)

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Am igos... As dificuldades cotidianas quando agudas parecem roubar-nos o chão da alegria, que enquanto expressão da realização pessoal dá-nos a impressão de que a vida perdeu o sentido, mas quando observado pelo ângulo da fé tal drama recebe um olhar consideravelmente fecundo: “Estou no começo do meu desespero, e só vejo dois caminhos: ou viro doida, ou santa.” (Adélia Prado) Tal dilema revela que partindo dos aspectos fundamentais desse sofrer podemos nos assumir desde lá para devolver-nos  ao outro com um desejo que colheu em nossas profundezas a percepção da crise como “ocasião de crescimento no plano humano e, não somente humano, como passagem do Eterno na vida do cristão, como hora de Deus .” (Amedeo Cencini) Aqui está a certeza de que “Nenhum sofrimento é absurdo. Está sempre alicerçado na Sabedoria de Deus” (são Tomás de Aquino), e mais, de que a felicidade começa pelo avesso dos grandes milagres, antes se trata do encontro dos nossos limites com Aquele que sustentando-n...

Reflexões sobre o coração humano (2)

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O coração do homem e da mulher experimenta um drama fundamental sempre que se tem em mente um compromisso firme de começar ou terminar um projeto: trata-se de ser conduzido pela lógica de tornar-se uma expressão mais simples daquilo que propriamente acontece em nossos universos interiores. Interessante notar que o nosso melhor, quando bem intencionado, é sempre um dom ao outro uma vez que o Amor que um dia nos encontrou não sabe ser gracioso de uma forma que não seja a de “tomar a iniciativa, colocando em comum tudo o que possui. Por conseguinte é um amor que transforma.” (Chiara Lubich, 1992) Simplificar e amar se conjugam num mesmo tempo de entrega em cada oferta humana que é apresentada em meio a alegria de carregá-Lo “em vasos de argila” (2 Cor 4, 7), mas vamos considerar como nossa, uma santa dificuldade que são Francisco de Sales propôs: “Que devemos, pois, fazer para amar? Para isso, não precisamos de nenhum outro truque que não seja, simplesmente amar, tal como aprendemos a ...

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