Reflexões sobre o Amor (4)


       
       Amigos... No último domingo o Evangelho expressou uma beleza que ilumina uma demanda muito cara em nosso mundo interior, trata-se de perceber que o Amor oferta uma paz que é diferente do mundo, como também de que ela nos alcança num momento que aparentemente somos deixados pelo Amado, entretanto, a alegria que brota nestas condições é própria de quem soube esperar (Jo 14, 28). Assim, uma questão que pode iluminar as dores do homem moderno é a maturidade que é gestada no coração de quem sabe amar nas “ausências cotidianas” e nesse sentido o padre Fábio de Melo soube poetizar tal drama quando expressou na música Ausência esta realidade do coração: “Fico então aqui a esperar. Permito-me perder neste sonho de te ver retornar.”; uma realidade que tem por vocação chegar a fazer-se em nossas dores uma oração que o mesmo padre cantou: “Te adorarei, Senhor, de todo coração. Te louvarei, te bendirei, te glorificarei, Senhor. E enquanto espero tua volta eu volto aqui. Te receber em mim eterniza a minha vida.” (Pegadas de tua ausência) Dessa forma a fecundidade da ausência deve-nos abrir para uma realidade de santidade que encontramos um exemplo sem igual com a vida do cardeal Van Thuân que quando preso pelo regime comunista ao longo de 13 anos chegou a perceber o Amor sob um ângulo que praticamente o define como homem conforme o apresenta Bento XVI: "era um homem de esperança, vivia de esperança e a difundia entre todos os que encontrava. Graças a esta energia espiritual resistiu a todas as dificuldades físicas e morais. A esperança o sustentou como bispo isolado durante treze anos de sua comunidade diocesana; a esperança o ajudou a perceber o absurdo dos eventos que lhe sucederam - nunca foi processado durante sua longa detenção - um desígnio providencial de Deus." Assim podemos perceber que aquilo que aparentemente é uma contradição com qualquer percepção atual de paz nos permite intuir que o Amor ainda é estranho a nós, ainda mais quando contemplamos a figura do homem á partir da experiência do cardeal Van Thuân, recolocando-nos em última instância com o drama que tem por problema não a concepção de que “Deus está morto”, mas que tal “ausência” é antes uma forma Dele continuar entregando-se a nós: “Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou e voltarei a vós!’ – É verdade: o Ressuscitado permanece conosco na potência do seu Espírito! Não precisamos ter medo, não precisamos nos sentir sozinhos, confusos, abandonados: na potência do Espírito, o Cristo estará sempre conosco!” (Dom Henrique Soares) Ótima semana!

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